Círculo de silêncio

Márcio Guerra, da Cáritas Diocesana de Beja, revela que um dos objetivos desta ação é “sensibilizar a comunidade para o principal desafio que temos enquanto sociedade, no que diz respeito aos direitos humanos e que tem a ver, sobretudo, com a inclusão de minorias.

Além disso, Márcio Guerra explica que se pretende alertar, igualmente, para que “qualquer processo de reconstrução nacional só pode avançar com um comprometimento com a justiça” no que toca aos direitos humanos.

Esta é uma iniciativa que conta com a parceria da Câmara Municipal de Beja, Rede Social, Núcleo de Beja da Rede Europeia Anti-Pobreza, Santa Casa da Misericórdia de Beja, a associação Aris da Planície e o Centro Social do Bairro da Esperança.  

Apesar de Portugal passar de réprobo da ordem internacional de direitos humanos para um país que está na primeira linha e que tem um enorme prestígio e autoridade para ter uma política de direitos humanos ativa, nas Nações Unidas, na União Europeia e na Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP), persistem, ainda assim, áreas em que é preciso melhorar os aspetos de direitos humanos em que Portugal ainda é deficitário.

Embora não existam números em Portugal, sabe-se que a maior minoria racial portuguesa será de origem africana (Cabo Verde, Guiné, Angola e Moçambique, estes dois últimos com menor expressão) e que a única minoria étnica nacional considerada, oficialmente, em Portugal são os ciganos.

Segundo o Alto Comissariado para as Migrações (ACM), na origem da discriminação estão, sobretudo, a "etnia cigana" (32%), a "cor da pele negra" (20%) e a "nacionalidade brasileira" (10%).

A maioria dos queixosos são pessoas individuais que afirmam que a maioria da discriminação ocorre no comércio (20%), seguindo-se situações propagadas pela Internet e redes sociais (12%) e no local de trabalho (11%).

Os dados fariam pensar que a discriminação não é um problema. Mas vários estudos mostram que as queixas não podem servir de “bitola”, uma vez que há muita gente que tem medo de queixar-se e que muitos não estão sequer informados sobre o que constitui discriminação.

O principal desafio que temos enquanto sociedade, em termos de direitos humanos, tem que ver com a inclusão de minorias e com o racismo, não apenas em relação aos afrodescendentes, mas também aos ciganos. São problemas de trabalho, de escola, de habitação, de relações sociais e mesmo de racismo implícito que, de vez em quando, aflora em algumas manifestações, felizmente em níveis baixos.


Os Círculos de Silêncio são um movimento de cidadãos e de organizações que consideram que a situação em que muitas pessoas vivem é extremamente precária e apela à consciência daqueles que fazem as leis, daqueles que as aplicam e daqueles em cujo nome são feitas, para concretizar uma política mais que respeite a dignidade do ser humano.


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