Basílica de Lyon

O Museu de Arte Sacra de Fourvière, responsável pela iniciativa, escolhe todos os anos um país diferente para a montagem do presépio, alvo de renhida disputa. Este ano, a escolha recaiu em Portugal e a instituição convidada pelas autoridades francesas para representar o nosso país foi o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja.

A inauguração está marcada para hoje, em pleno Advento do Natal, sob a presidência do cardeal Philippe Barbarin, arcebispo de Lyon e primaz de França, com a participação das instâncias oficiais e a afluência de inúmeros populares, já que a visita do presépio de Fourvière, uma tradição local, suscita sempre extraordinário entusiasmo, sendo amplamente noticiada pela comunicação social.

"A eleição da Diocese de Beja para erguer um presépio alentejano no principal santuário de Lyon constitui uma grande honra para a nossa região e uma oportunidade deveras importante para darmos a conhecer os tesouros artísticos e religiosos de Portugal", salienta Sara Fonseca, responsável pelo Departamento do Património da Diocese de Beja.

Formado por cerca de 300 figuras históricas, na sua maioria emprestadas por famílias do Baixo Alentejo, o presépio, com a forma de um outeiro, terá a altura aproximada de três metros e recria a tradição, oriunda dos tempos do Barroco, com grutas, socalcos, fontes, rebanhos, moinhos, searas, montes (as características herdades alentejanas), uma banda e outros motivos característicos do quotidiano, rural e urbano, do interior do país. O projeto artístico é da responsabilidade do arquiteto Ricardo e dos designers Beatriz Horta Correia e Miguel Gaspar, com a colaboração de paróquias e museus alentejanos.

Paralelamente à exposição temporária do presépio, que se realiza sob a égide do Consulado-Geral de Portugal em Lyon, terão lugar outros eventos de carácter cultural, entre os quais um encontro sobre o cante alentejano, que a UNESCO acaba de classificar como património imaterial da humanidade. Colóquios, gastronomia, música e contactos com instituições locais e regionais completam um ciclo de atividades que volta a colocar Portugal no âmago da Europa.


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