Casa da Cultura Beja

O conjunto de monitores, alunos e outros utilizadores do espaço alertam que “há mais de 20 anos que se realizam os Ateliers Permanentes da Casa da Cultura sem interrupção, inclusivamente no Verão, altura em que a oferta na cidade é quase nula e em que estes ateliers se revelam ainda mais importantes”.

No comunicado enviado à Voz da Planície, é realçado que “com o fim das medidas de confinamento e a abertura da Casa da Cultura ao público”, monitores e alunos não compreendem “que a mesma tenha passado a encerrar às 17.30 horas e que se interrompam os ateliers durante os meses de Junho, Julho e Agosto”. Acrescentam e recordam que “estes ateliers, dirigidos a jovens e adultos, só podem ser dados depois do horário de trabalho”.

Simão Matos, um dos signatários do abaixo-assinado, realça à Voz da Planície o impacto que esta tomada de decisão por parte da Câmara de Beja tem não só para os alunos, mas também para os próprios monitores que, apesar de receberem “uma mensalidade simbólica”, é uma verba que significa “um sustento importante” e que “contribui para o equilíbrio financeiro” dos mesmos, em particular nesta altura de pandemia. No comunicado é frisado que “a recusa em abrir este espaço em horário pós-laboral, como sempre aconteceu, também revela muita falta de sensibilidade para estas questões”.

O documento sublinha que “a um dos monitores foi dito que teria que submeter o seu ateliê à apreciação da Srª Chefe de Divisão, em Setembro, para ser avaliada a sua continuação ou não” e que “candidatar ateliers que são dados neste espaço, há tantos anos, é uma situação que nos parece altamente injusta”.

A ideia deste abaixo-assinado é, segundo Simão Matos, “expor a situação à autarquia”, realçando a importância da permanência dos ateliers e, nesse sentido, a necessidade de se manter o horário pós-laboral na Casa da Cultura.

Simão Matos é também um dos elementos que integra o atelier de BD e ilustração e revela que este atelier “nunca tinha tido tanta gente nova como estava a ter este ano” o que é revelador da importância desta oferta. Simão Matos afirma, ainda, que “não existe outra oferta cultural na cidade” como a proporcionada pela Casa da Cultura.

“O Alentejo e o nosso concelho têm um grave problema de desertificação, nomeadamente entre os jovens. Tudo o que podermos fazer para fixar as pessoas é pouco”, salienta ainda o comunicado.


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