Medalha José António Falcão

“Há longos anos que o professor José António Falcão vem investigando os laços históricos entre o território alentejano e o Brasil. Isto permitiu-lhe redescobrir as origens de Martim Soares Moreno, o primeiro capitão-mor do Ceará (1619), uma figura mítica no continente sul-americano – aliado e amigo dos índios, foi o precursor de uma corrente do indigenismo, tornando-se o herói do romance Iracema, de José de Alencar, expoente da literatura romântica. O investigador português tem dedicado vários trabalhos de fundo a esta temática, que mereceu agora o reconhecimento das autoridades brasileiras.”

Em declarações à Voz da Planície José António Falcão mostrou-se satisfeito com esta distinção que, nas suas palavras, representa, igualmente, uma enorme responsabilidade e explica porquê.


Biografia de José António Falcão:

"É autor de vasta bibliografia sobre a história, a arquitectura, a arte e as tradições populares do Alentejo. Já desempenhou funções, como museólogo, no Museu de Évora, na Casa dos Patudos, em Alpiarça, no Museu Gulbenkian e, mais recentemente, no Museu Maynense, da Academia das Ciências de Lisboa. É membro da Academia Nacional de Belas-Artes, da Academia Portuguesa da História e do Instituto do Ceará, entre outras instituições ligadas à investigação.

Dirigiu o Departamento do Património Histórico e Artístico da Diocese de Beja, por si organizado, até este organismo, que teve papel destacado na defesa e promoção dos bens culturais da região, ser extinto, em 2017, pelo bispo D. João Marcos. A extinção, uma das primeiras medidas do controverso prelado, ocorreu após Falcão – e os restantes membros da sua equipa – se oporem a obras clandestinas então levadas a cabo em vários monumentos da Diocese, à revelia da lei. A decisão do novo bispo causou reacções no Baixo Alentejo, reflectindo-se também no fim de alguns museus diocesanos, entre eles o Museu Episcopal de Beja, e no crescente encerramento de igrejas à cultura e ao turismo.

A par dos estudos sobre a herança artística e religiosa do Alentejo, José António Falcão criou, em 2003, o Festival Terras sem Sombra, iniciativa que une música clássica e contemporânea, património cultural e biodiversidade. Esteve também na origem da fundação do Centro UNESCO de Arquitectura e Arte, com sede na região."


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