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“Alqueva é um desígnio nacional”...


O debate sobre “Alqueva e os Desafios do Regadio para o Século XXI”, promovido ontem pela ACOS – Agricultores do Sul, proporcionou o esclarecimento de dúvidas sobre a gestão da rede secundária de rega e sobre a importância, para a região e para o País, do Empreendimento de Fins Múltiplos de Alqueva.

No colóquio realizado ontem à tarde pela ACOS – Agricultores do Sul sobre “Alqueva e os desafios do Regadio para o Século XXI”, o secretário de Estado das Florestas e Desenvolvimento Rural, Francisco Gomes da Silva afirmou que Alqueva é um desígnio nacional. Que não pertence a nenhum partido, nem a nenhuma região.

Sobre a polémica causada em torno da entrega da gestão da rede de rega à EDIA, em vez de aos regantes, como as suas estruturas representativas reclamam, Gomes da Silva explicou que esta decisão, efectivada por um período reduzido de tempo – sete anos – tem como propósito garantir a conclusão rápida das obras em curso, a melhor interligação entre todos os blocos de rega, o preço da água e a necessidade de financiar o resto do Alqueva.

Sobre o desacordo manifestado pelas estruturas de representação dos regantes, o Secretário de Estado referiu que o que interessa é cumprir o desígnio nacional. E que a posição dos agricultores é, nesta matéria, uma questão de pormenor.

Francisco Gomes da Silva sublinhou que o maior desafio que se coloca ao regadio de Alqueva para o século XXI é a conclusão das obras. E explicou que, para o corrente ano, estão lançadas para execução em 2013, só para o regadio de Alqueva, cerca de 150 milhões de euros de obras.

Ao afirmar que regar é muito mais do que abrir uma torneira, o secretário de Estado do Desenvolvimento Rural lançou ainda o desafio aos regantes para que proponham a certificação do regante como forma de aumentar as garantias de eficiência.

O Colóquio promovido pela ACOS sobre os desafios do regadio de Alqueva para o século XXI, que contou com casa cheia, teve como oradores Pedro Teixeira, Director-geral da Direcção Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural; António Parreira e Manuel Reis em representação das associações de beneficiários do Roxo e de Odivelas e João Basto, presidente da EDIA – Empresa de Desenvolvimento e Infraestruturas de Alqueva. A moderar o debate esteve José Núncio, presidente da FENAREG – Federação Nacional de Regantes de Portugal.

O debate foi aceso entre quem defendia a gestão da rede da água de rega por parte dos agricultores e regantes e entre quem justifica a gestão por parte da EDIA. No final as partes consideram importante o debate público em torno de uma questão que a todos diz respeito.

José Núncio, presidente da FENAREG sublinhou que neste debate viu-se que todos estão empenhados para que o empreendimento de fins múltiplos de Alqueva seja um sucesso.

Por sua vez, Pedro Teixeira, da Direcção-Geral de Agricultura e Desenvolvimento Rural disse que, referindo-se à EDIA, estamos a pagar por erros de passado e que temos o dever de prestar contas.

O presidente da EDIA sublinhou a importância de, pela primeira vez, conseguir expor de uma forma detalhada os pressupostos do modelo de gestão de rega neste momento em cima da mesa.

O debate veio mostrar que conversando, as partes podem entender-se.

27/04/2013 - 00:00